Não será por acaso que o futebol e a política caminham de mãos dadas, a cada campeonato somos assolados pelo mesmo sentimento que levamos para as urnas na eleição de um novo governo: "Desta é que é!" A convergência destes dois universos é ainda maior se pensarmos que o futebol compensa o povo naquilo que a política mais lhe fita, ânimo. Está ao nível da melhor estratégia política que de dois em dois anos apareçam campeonatos de futebol capazes de galvanizar toda uma nação e apontá-la no mesmo sentido. Acalma-se o povo como quem mata a fome a um animal de estimação, a plebe agradece de barriga cheia e serena a contestação porque pelos vistos a esperança também mata a fome. Quão estranho é insurgirmo-nos contra um Paulo Bento que perde a feijões frente à Turquia, mas desculparmos vezes e vezes sem conta políticos e políticas que nos envergonham há anos perante todos os países do mundo? Futebolisticamente exigimos a conquista do universo e tudo à volta mas permitimos que a nossa economia tenha um rating de somenos importância que o estrume das vacas. Estranho deveras que nem a recente chamada de atenção para o estado das contas públicas e o iminente risco de saída da moeda única nos tenha unido enquanto nação. A verdade é que só o fazemos em uníssono aplaudindo 2 almas fechadas num autocarro estrategicamente pejado com o logótipo dos mesmos que apupamos cada vez que enchemos o depósito. Prova-se mais uma vez que para mover as massas teremos de mudar de timoneiros. Atiro à ganância com Ronaldo para Presidente e Mourinho como primeiro-ministro. Aumentará certamente o interesse nos relatórios que um qualquer superespião possa fazer sobre eles e certamente que nem um nem outro se queixarão da parca reforma.