Não percebo nada de bola
Não sei o que estou aqui a fazer. Quer dizer: sei. Neste bolo-rei de crónicas sobre o Campeonato Europeu de futebol sou a fava. Noutra altura, diria que era o brinde - mas infelizmente a ASAE já não permite que se insiram miniaturas metálicas de carros, botas, ferraduras e trevos nos bolos. O Nilton diz que também não pesca muito sobre o assunto, mas sabe os nomes de mais jogadores do que eu, o que faz dele, vá, uma cereja cristalizada. O Borges, o Vasconcelos e o Fernandes são, claramente, suculenta massa. Malditos sejam.Não percebo nada de futebol. Não é por não gostar; adorava perceber, mas não apanhei este comboio na altura certa - quando era gaiato preferia a Guerra das Estrelas à bola - e agora, mesmo que tente entrar, é como apanhar uma telenovela ao episódio 1057. Ou seja, durante um jogo, eu sou aquele que maça os amigos adeptos a sério, com perguntas do género "então este é filho de quem?" ou "foi esta quem matou o outro?".Seja como for, um Euro acaba por ser, de certa forma, um Futebol para Totós. Todo o País torce pela mesma equipa, o que é um descanso. Gostei do jogo de ensaio no sábado passado. Gostei que tivesse corrido mal. Explico: não percebo de bola, mas percebo alguma coisa de filmes. Se as coisas correrem realmente mal no Euro, nós estamos preparados, já vimos o trailer - e já se sabe que, hoje em dia, os trailers contam o filme todo. Se as coisas correrem bem, é como quando vimos O Sexto Sentido pela primeira vez. Só que em vez de "ah, ele está morto!" diremos "ah, eles estão vivos!". E será bonito.