VOTAÇÃO ABERTA: OS MELHORES DA LIGA ZON SAGRES

5 de Junho de 2012

JOSÉ PEDRO VASCONCELOS no DN

Lembrem-se das crostas ao sol


Caríssimos leitores, ponto prévio: percebo tanto de futebol como de mulheres; ou seja, pouco, muito pouco. Sou o português típico que, sabendo cada vez menos do que se passa à sua volta, vai alimentando diariamente a convicção de que é uma sumidade... Toda a alma lusa tem na sua génese um Professor Marcelo, alguém com bagagem intelectual que vai do paleolítico superior às vantagens do frango no espeto sobre o mesmo na brasa, passando pelas virtudes do escalracho ao gazão no embelezamento de um jardim. Alertei os meus colegas do DN - sim, agora já tenho colegas de redação - para mais esta fraqueza da minha pessoa: eu de futebol só sei que nada sei. Quanto a mulheres (e tenho três, duas filhas que tento ensinar diariamente, e a que realmente conta pois aqui os papéis invertem-se e é ela que me educa, à portuguesa a minha patroa...), oscilo no meu relacionamento entre o silêncio de um monge Cartuxo e o entusiasmo pró-ativo de um recém-contratado numa PME. Se, por um lado, a experiência me diz que estar calado é mais confortável, por outro o entusiasmo também já me tem dado serões muito agradáveis. O dilema que me assola neste momento há de ser transversal a todos os cronistas de algibeira como este que vos escreve. Digo o que penso? Opto por um tom mais pedagógico cheio de fé nacionalista? Agarro num pau? Mando-os ao rio? O que dizer de uma Seleção de estrelas carregada de Ferraris, joias e headfones? O que dizer de uma Seleção de 23 rapazes pagos principescamente? O que dizer aos meninos que carregam de baixo do braço a esperança e o sonho de todo um país numa "mariconera" Vuitton? Façam como os Cartuxos, em caso de dúvida estejam calados. E quando o primeiro jogo começar, trabalhem com o entusiasmo que tinham antes de vos forrarem a ouro, com a alegria das crianças que jogam horas a fio futebol com as crostas dos joelhos ao sol. Com o amor e luta que sempre vos empurrou para a rua com uma bola nos pés. Se assim for, Portugal calar-se-á como os Cartuxos e amar-vos-á com o entusiasmo de um recém-contratado. Caso contrário, fica tudo como dantes, vocês dentro do autocarro entediados e nós cá fora a dizermos adeus.

LUÍS FILIPE BORGES no DN

Golos contra a metafórica 'troika'

Estreio orgulhoso esta colaboração do 5 p/M-N com o histórico Diário de Notícias. Tenho, aliás bem a propósito, a honra de dar o pontapé de saída. Felizmente, este é virtual. Caso contrário, dado o meu jeito para bola, seria provável que pisasse o esférico e acabasse estatelado, mais dorido do que um avançado marcado pelo nosso Bruno Alves. Mau prenúncio, decerto, para uma coluna que se deseja de apoio ao sonho nacional no Europeu.E não restam dúvidas de que esta é a seleção de todos nós, sobretudo quando penso em Rúben Micael - com o qual partilho uma afinidade absoluta nas características: afinal, também sou insular e igualmente capaz de vestir uns calções e atar umas chuteiras. Sobre o outro madeirense que nos enche de alegria, abstenho-me de piadolas. Os modelos conseguem boiar no Tejo, gorditos de chapéu duvido.Não me interessam Macedónias nem Turquias, pois os nossos craques são o reflexo do País. Ou seja, só nos esforçamos a sério quando o desafio é de monta. Logo, não podia estar mais feliz por nos ter calhado o chamado "grupo da morte". Rapazes, nós por cá temos a troika, vocês têm aí a vossa própria. E poder começar logo contra os alemães, é uma extraordinária chance de - mui simbolicamente - mandar quem manda na Europa e a todos subjuga... à Merkel.De resto, e prestes a começar esta aventura, só me lembro de um conselho recebido um dia através de um tio tarado: "As mulheres perdoam-te se falhares; não te perdoam é se não tentares." Façam o favor de adaptar esta máxima à vossa realidade, e tentem. Nós cá estaremos para aplaudir.

Seleção Nacional 2012 - A Seleção da Publicidade

Não me lembro de nenhum das ultimas Seleções ter sido tão rodeada de publicidade e mediatismo como a deste ano. Anúncios de televisão, de radio, entrevistas exclusivas, programas e mais programas de falso apoio à Seleção, campanhas de todos os tipos de marcas, e ainda a exaltação da qualidade monumental dos jogadores, dos treinadores e até do staff. Embora todos anos isto tenha acontecido, este atingiu o máximo do exagero.
Se o facto de os jogadores que representam Portugal, estarem disponíveis para se dar a conhecer melhor ao publico, ser positivo, a altura em que isto acontece não é a melhor. Quase que ficamos com a ideia que a Seleção Portuguesa apenas existe durante um mês de dois em dois anos. Nestas poucas semanas que antecedem uma grande competição, os jogadores apenas devem estar concentrados e focados a dar o seu melhor pelo seu país. E infelizmente não foi isso que se viu nestas ultimas duas semanas. Pode ser que nos dias que antecedem o jogo com a Alemanha, o grupo se consiga abstrair totalmente das pressões publicitárias e mediáticas que sofreu em Portugal.
Por estranho que pareça, no ano em que a Seleção é mais exaltada em Portugal, é o ano em que os adeptos portugueses estão menos confiantes no seu sucesso. Temos de ser realistas em relação ao Euro que se avizinha. Apesar de termos alguns do melhores jogadores do Mundo, não somos favoritos a ganhar o Euro, nem favoritos sequer a passarmos aos quartos de final. Mas no futebol, o favoritismo não ganha jogos e por isso acredito que temos possibilidades de vencer Alemanha, Dinamarca e Holanda. Temos de acreditar.