VOTAÇÃO ABERTA: OS MELHORES DA LIGA ZON SAGRES

10 de Dezembro de 2011

Chelsea

Os factos, primeiro.
O Chelsea terminou em primeiro no grupo da Liga dos Campeões.
Ganhou em casa ao Valência por 3-0.
Numa semana delicada, já tinha conseguido vencer em casa do Newcastle, a sensação da Premier League, e agora cumpriu o objectivo de se apurar para os oitavos-de-final da Champions. Logo, chega ao desafio com o Manchester City numa posição muito menos desconfortável do que se encontrava há umas semanas.
Além de ter ganho, Villas-Boas arriscou em algumas opções. Aposta em Romeu e Lampard no banco foi apenas uma das decisões de treinador. Afastar Alex e Anelka também é uma forma de dizer quem manda. (aspectos que a imprensa inglesa online não se cansou de salientar)
E o Chelsea ganhou.
A forma como ganhou, esta noite, é que levanta interrogações.
Não que a vitória tenha deixado alguma espécie de dúvida. Pelo contrário, foi linear: o Valência andou com a bola, o Chelsea (apostas futebol) marcou. Três golos, e podiam ter sido mais um ou dois.
Acontece que o Chelsea ganhou a não jogar. Em casa, perante um adversário apenas respeitável, trancou-se à espera que as fraquezas do adversário se revelassem. E isso sucedeu. No primeiro golo, sobretudo no segundo.
A posse de bola que o Chelsea permitiu deve ter sido histórica (acabou 34/66, chegou a andar pelos 30/70). Duvido que alguma equipa inglesa tenha alguma vez registado níveis tão baixos. 
Villas-Boas tem razão quando diz que não há prémios para quem guarda a bola. E também tem razão quando classifica este triunfo como o do espírito colectivo, da personalidade. Tudo isso está muito certo. Mas uma equipa de futebol não se faz apenas dessa matéria. Ajuda, muito. Mas é curto. E esta terça-feira o Chelsea ganhou e mesmo assim foi curto. Quer dizer, chegou, como era suposto que chegasse desde o dia do sorteio. Mas é pouco para quem tem a ambição de lutar com os maiores. 
Ao escolher aquele caminho, invulgar, Villas-Boas demonstrou pouco confiança no futebol que a equipa é capaz de jogar. O resultado foi excelente, o caminho para nem por isso. Veremos se esta é base suficiente para construções sólidas.
Dito isto, até porque não me incluo na lista dos críticos que receberam uma bofetada (se ainda não viu as imagens da conferência, veja), o Chelsea conseguiu o objectivo. E isso é bom. Tendo em conta o risco que existia antes da partida, percebe-se a reacção (como quem deixa sair a pressão) do treinador português no seu primeiro choque com os jornalistas ingleses.

Cartoon: Preferencia