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25 de Novembro de 2011

Joan Capdevila

Qual será o estado de alma de Joan Capdevila? Como se sentirá ao ver o seu nome ausente das convocatórias, jogo após jogo? Como explicará a si mesmo o facto de não ter sido inscrito na Liga dos Campeões? Qual será a relação diária com Jorge Jesus? O que pensará de tudo isto que lhe está a acontecer?

Estas são questões que assolam tanto o jogador como os próprios adeptos benfiquistas que procuram perceber o imbróglio causado pela vinda deste profissional para a Luz. O seu percurso no Benfica causa perplexidade e gera incompreensão a vários níveis. Apesar de não ser difícil de imaginar o que pensará Capdevila de toda esta situação, fica muita coisa por explicar e será apenas uma questão de tempo até a verdade vir ao de cima.

Apresentado como sucessor natural de Coentrão para ocupar a lateral esquerda, o defesa espanhol jamais imaginaria o calvário pelo qual iria passar ao assinar pelo Benfica. Não estamos a falar de um jogador que veio para ser suplente. Não se tratando de um jogador jovem, Capdevila seria uma mais valia óbvia pela sua experiência de muitas épocas jogadas ao mais alto nível na Liga Espanhola e na Seleção (apostas online). Não é qualquer jogador que representa uma Seleção Espanhola sendo esta campeã do mundo e da Europa. Era um titular indiscutível com Del Bosque que sempre apreciou as suas qualidades. A imagem que deixou pelos clubes por onde passou foi a de um defesa aguerrido, taticamente irrepreensível e altamente competente no apoio ao ataque pelo seu flanco de eleição. Um lateral esquerdo completo e sempre muito apreciado pelos adeptos. Tendo ele estas valências, sendo um profissional consagrado e com um currículo de respeito, é no mínimo bizarro a sua escassa utilização.

Admitindo que veio lutar de igual para igual com Emerson pela titularidade, Jorge Jesus deixou bem claro desde o início que a balança pendia mais para o lado do atleta brasileiro. Reconheço que Emerson tem vindo a fazer uma época em crescendo e que já rubricou algumas exibições positivas mas ainda está longe de me convencer. Tem limitações técnicas óbvias e revela alguma ingenuidade nos posicionamentos defensivos. Tem também demonstrado uma sofrível aptidão em zonas de ataque e são raros os cruzamentos para a área que sejam feitos com o critério que se exige a um lateral moderno. Capdevila só ficará a perder em compleição física para o corpulento Emerson. O que lhe falta em centímetros sempre o compensou com uma garra em tudo semelhante à de Coentrão. Se me custa a aceitar que não seja titular, ainda mais me surpreende que seja muitas vezes desconsiderado como segunda opção numa equipa que tem que fazer uma gestão cuidada do esforço físico por estar presente em várias provas.

A figura de Jorge Jesus surge no centro desta questão. É notório o desconforto do técnico quando abordado sobre esta matéria, dando muitas vezes a ideia de que a contratação do espanhol terá sido feita sem o seu aval. Como é isto possível? Ainda existem este tipo de situações no futebol moderno? Numa altura da época em que a equipa apresenta um notório défice físico, incluir um jogador como Capdevila no onze inicial devia ser uma mera formalidade. O último jogo da Liga dos Campeões (bet) deixou a nu toda a teimosia do técnico encarnado. Sem desprimor por Luís Martins que teve uma bela estreia, a entrada desastrosa de Miguel Vítor para a ala esquerda em mais uma manobra de adaptação de um jogador a uma posição para a qual não está minimamente talhado, coincidiu com o golo do empate dos suíços e gerou uma enorme onde de insatisfação na nação benfiquista. Saber à partida que Capdevila não pode jogar por nem sequer estar inscrito, deixou os adeptos em polvorosa.

Numa história de contornos infelizes, a pressão existe para que Jorge Jesus retifique o que aparentemente está mal. Não acredito que esta velha raposa mude de opinião facilmente ou que admita sequer reconsiderar a sua abordagem em relação a Joan Capdevila. Não vislumbro um volte-face airoso nesta situação, nem vejo Jesus a fazer qualquer espécie de mea culpa perante os críticos que se vão avolumando. Capdevila não tem culpa de estar envolvido nesta tremenda confusão. O treinador tomou as suas opções e será cabalmente julgado por elas. Ao que se sabe, o jogador tem cumprido com os seus deveres profissionais de forma normal e sem reclamar da sua condição de suplente dos suplentes.

Se tudo continuar assim prevejo um mercado de janeiro bastante agitado para os lados da Luz. Quem não se sente valorizado tem todo o direito de tentar ser feliz noutros clubes. Desejo a maior das sortes a um Campeão chamado Capdevila.

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