1 de Junho de 2011

Em que ficamos Sr. Jesus?

7 de Maio de 2011

1 de Junho de 2011

E se todos os nº9 fossem como Falcao?

Por: Luís Freitas Lobo

O futebol tem caminhos que só ele próprio conhece. Muitos, são quase um desafio à lógica. FC Porto e Sp. Braga cruzaram-se na relva de Dublin, rodeados de sonhos e Guiness por todos os lados, mas nunca libertaram o seu plano de um jogo de um estado de espírito inicial que amordaçou o seu melhor futebol durante 90 minutos. A corda mental: um jogo de respeito táctico. E, nessa linha de pensamento receoso, o tal desafio à lógica: um mau passe foi capaz de, por si só, ser mais importante para abrir espaços do que todos os passes acertados (em geral quase sempre curtos) no jogo todo. O erro (ou melhor, o detectar do erro) para activar outro chip de dinâmica e velocidade no jogo. Porque é muito diferente a velocidade em espaços curtos da velocidade em espaços longos. Durante todo o jogo, sobretudo no seu plano inicial, o Braga encurtou o campo e obrigou o jogo a disputar-se em apenas 30 metros de relva, enchendo o meio-campo de médios pica-pedra que se não conseguiam jogar bem, conseguiam, pelo menos (e era esse o plano inicial) impedir de jogar bem. Custódio surgiu como médio mais adiantado para pressionar mais alto, Viana a tentar comer espaços, Vandinho atrás a fechar. Mas o jogo não se esgota só na recuperação de bola, necessita de um momento subsequente na sua posse em que a equipa mude a sua linha de pensamento. Em suma: um bom jogo exige que as equipas percam, nem que seja por alguns momentos, o respeito táctico uma pela outra. Em Dublin isso nunca aconteceu.
 
A não ser, claro, no mau passe de Rodriguez e na clareira que subitamente se abriu para Guarín irromper pelo meio-campo do Braga, então apanhado em desequilíbrio defensivo posicional. Foi quando o radar de goleador se acendeu na área. Falcao sentiu que, por fim, ia acontecer alguma coisa. Procurou o espaço nas costas do defesa-central restante do Braga, o desesperado Paulão, hesitante entre sair, ir marcar em cima, ou tentar antecipar, até que a bola surgiu na medida certa para um cabeceamento que mistura arte guerreira, voo, ballet e contorcionismo.
No início do segundo tempo, quando o Braga tentou mudar a sua linha de pensamento no jogo (no fundo, perder um pouco derespeito) outro erro, ia reabrindo o jogo (Fernando teima em cometer o erro de receber a bola de costas à frente da sua área e foi surpreendido por Mossoró que a roubou e isolou-se. À medida que ia correndo na direcção da baliza de Helton, parece, no entanto, que Mossoró ia ficando mais curvado, lento e hesitante. No fundo, ele sentiria, naquele momento, carregar todo o peso do mundo nas costas (entenda-se o peso do sonho bracarense, história e possibilidade de a mudar). Com toda essa pedra emocional agarrada às chuteiras, rematou fraco e Helton disse à bola para ir embora. E, de facto, ela nunca mais lhe apareceu por perto.
 
Foi um jogo em que quase se podia ouvir o bater do coração dos jogadores, treinadores e adeptos, tal o silêncio emocional que o rodeou.  
O golo solitário de Falcao, a beleza plástica do movimento, a sua eficácia mortífera, imparável, foi maior que o jogo todo. Nessa altura sentimos como o futebol pode ser arte e garra, simultaneamente. E, se um dia, todos os pontas-de-lança fossem como Falcao? Que futebol teríamos e que emoções abrigaria qualquer jogo, mesmo aquele com mais cavalheiros tácticos, com um jogador que voa por cima de toda a realidade?
 
O FC Porto conquista a Liga Europa sentindo-se uma equipa maior do que a própria prova. É irónico, mas a possibilidade de a ganhar só pode nascer porque se começa por falhar um objectivo (entrar na Champions, o seu lugar). Tal como a equipa na sua dimensão colectiva, Falcao, o nº9 que levanta voo do jogo mais soporífero, ambos estão destinados a outras aventuras. Entrar naterra dos monstros da Champions. Sem respeito.

Os grandes golos de Abel Camará



Sondagem: Domingos é aposta certa

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As marcas de Pep em André

in: MaisFutebol


André Villas-Boas, um mini-Mourinho num mini-Barcelona. Os termos surgiram ao longo da época de sonho do F.C. Porto. O treinador, entre os dois, prefere o segundo. É um fã assumido do futebol praticado pela equipa de Pep Guardiola. Na Supertaça Europeia, terá de o enfrentar.

A 26 de Agosto, no Mónaco, o técnico portista encontra a sua fonte de inspiração. Desta vez, como adversário. Villas-Boas desenvolveu um encanto particular pelo Barça de Guardiola e nunca escondeu o desejo de conhecer o espanhol.

Em Fevereiro desde ano, na Catalunha, o treinador do F.C. Porto satisfez essa ambição. Esteve à conversa com Pep, num encontro informal e reservado. Aliás, pouco se sabe sobre esse tema e as partes evitam a divulgação de mais pormenores. 

«Guardiola é uma inspiração para mim, todos os dias. Felizmente, tive a oportunidade de finalmente o conhecer em Fevereiro. Inspiro-me não só mas também na sua filosofia, na filosofia do Barcelona, de Cruijff, de Rinus Michels», disse Villas-Boas, em Dublin. Guardiola agradeceu.

«Barça tem um modo inatingível de perfeição»

As comparações multiplicaram-se ao longo da temporada. «Este Porto é um mini-Barcelona», atirou Peter Pacult, técnico do Rapid de Viena. Antes, Gjore Jovanovski (CSKA de Sófia) utilizara a mesma escala: «O F.C. Porto é a equipa mais técnica da Europa, a seguir ao Barcelona.»

André Villas-Boas sorriu. Em Novembro de 2010, antes do duelo entre Barça e Real, demonstrara a sua preferência. «Sou um adepto incondicional do estilo de jogo do Guardiola. Gosto quando ganha aquela equipa, porque aquela equipa reflecte o modo como todas as equipas deviam jogar, um modo inatingível de perfeição. Tenho um sentimento muito especial por aquela equipa, porque jogam um futebol mágico», admitiu.

Um mês depois, a mesma toada, a admiração assumida sem rodeios: «O Barça está lá em cima, num nível de perfeição muito, muito difícil de atingir e num estilo que eu gosto de apreciar.» Falcao resumiu a preferência do técnico, já no final da época: «Ele esteve muitos anos com Mourinho, têm uma escola idêntica, a diferença é que Villas-Boas joga mais como o Barcelona».

«Notam-se princípios do Barça no Porto»

Não há margem para dúvidas. André Villas-Boas procurou implementar alguns conceitos catalães no estilo de jogo do F.C. Porto. O resultado é necessariamente diferente, tão diferente como os jogadores em causa, mas a intenção é bem vincada. 

«Existem semelhanças, sem dúvida. De qualquer forma, o produto final do F.C. Porto é diferente, porque os jogadores são diferentes e também porque o processo do Barcelona já dura há bem mais tempo. Mas notam-se os princípios, a posse de bola, o subir linhas para reduzir espaços. Ainda assim, uma ideia é uma ideia. O resultado é sempre diferente», lembra João Carlos Pereira, treinador português que esteve a estagiar com o Barça de Guardiola, ao Maisfutebol.

O técnico luso reconhece a intenção. Aliás, como adepto daquele futebol, tenta fazer o mesmo. Impossível, garante. «O Barcelona tem um processo desenvolvido durante mais de 20 anos, está na sua plenitude e no seu apogeu. O Man. United também está e, mesmo assim, aconteceu o que aconteceu na final da Champions. O F.C. Porto iniciou há um ano um sub-ciclo com Villas-Boas, é mais recente.»

«Numa prova de regularidade, o Barça é mais forte e isso iria notar-se mais. Num jogo, tudo pode acontecer», remata João Carlos Pereira, antigo técnico do Ermis (Chipre), como forma de antevisão da Supertaça Europeia.



Cartoon dos Campeões: Helton