12 de Fevereiro de 2011

Outro Alves na Liga Portuguesa

in:Maisfutebol


Herança familiar, tributo a um ADN competitivo. O clã Alves dá mais um herdeiro ao futebol nacional. Depois de Geraldo e Bruno, é a vez de Júlio. Todos filhos de Washington, também ele um antigo participante no campeonato nacional. 

A estreia do mais jovem teve lugar no passado domingo. Apenas com 19 anos e logo no Estádio do Dragão. OMaisfutebol foi conhecê-lo melhor. 

O cabelo encaracolado, os traços faciais, a forma como corre. Não há dúvida possível. Júlio é um Alves da cabeça aos pés. Está a «cumprir um sonho de criança» e sente-se «realizado» pela primeira aparição na equipa sénior do Rio Ave. A noite esteve muito perto de ser perfeita. 

«Foi uma óptima sensação. Nunca tinha jogado num estádio tão grande e tão bonito. Ainda por cima estive perto de marcar. Nem sei como iria celebrar. Foi tudo muito rápido. Não sei exprimir o que senti ao ver a bola passar tão próximo da baliza», revela, envergonhado com as perguntas do jornalista.

«Se eu marcasse ao Porto, o Bruno ficava dividido»

Das cadeiras azuis para a relva. Da expectativa para a primeira linha de combate. Júlio Alves passou de espectador no Dragão a protagonista. Foram anos e anos a não perder «um único jogo do Bruno» de azul e branco. Quis o destino que a primeira marca na Liga fosse precisamente no estádio que tantas vezes visitou. 

«Ia ver sempre todos os jogos do meu irmão ao Dragão. Ele gosta muito do F.C. Porto e foi especial também por isso. Se eu marcasse ele ia ficar dividido, de certeza. Contente por mim e triste pelo Porto.»

Ironia das ironias, o livre tão bem apontado por Júlio saiu de umas chuteiras de Bruno Alves. «São um talismã para mim. Tenho muito orgulho em usar as botas que o meu irmão me ofereceu. Calçamos o mesmo número e assim não tenho de comprar. É uma vantagem», diz a sorrir.

«O Júlio foi preparado para ser um box-to-box»

Formado no Varzim, Júlio começou a jogar com nove anos nos infantis dos lobos do mar. No primeiro ano de júnior passou para o F.C. Porto, antes de ingressar no Rio Ave. De repente, depois de seis meses cedido ao Ribeirão, tudo lhe está «a acontecer demasiado depressa.»

A gestão de tantos sentimentos é feita em casa. Uma casa dominada pela voz paternalista de Washington Alves, um homem já muito habituado a ver os filhos nas primeiras páginas dos jornais.

«Não há diferença nenhuma entre o Júlio e os irmãos mais velhos. Todos eles lutaram para chegar longe. O Júlio chega à primeira divisão no momento certo. Os seis meses no Ribeirão fizeram-lhe muito bem. Ganhou mais confiança e a dimensão do futebol dele cresceu», explica ao Maisfutebol, enquanto traça o perfil do médio. 

«O Júlio foi preparado para ser um box-to-box. É um tipo de médio que o futebol europeu pede. Sabe defender, criar e finalizar. A pressão está sempre presente. Fazer parte de uma família do futebol só pode trazer-lhe coisas positivas.»