
A decisão de Carlos Queiroz sobre quem deve ser o capitão da selecção esta dependente do resultado da sondagem do Blogue DC Futebol Clube:
Publicado em: ionline
"Algum pai, no processo de formação do filho, não teve de dar um raspanete, uma palmadinha, um castigozinho? Ou, pelo menos uma vez, o filho não foi impertinente?", questionou Carlos Queiroz aos microfones da Antena 1 após o Mundial. É verdade. Mas agora falta o resto da história: Cristiano Ronaldo está perdoado pelo momento menos bom na zona mista (e também antes, no relvado)? Sim. E vai continuar capitão? Em princípio. Mas isso será decidido na cadeia inversa, com o filho a dizer ao pai qual a melhor opção para ter a braçadeira rumo ao Euro'2012.
Nesta altura, técnico e jogador encontram-se de férias mas, quando a competição recomeçar, em Agosto, está prevista uma conversa entre o seleccionador e a principal figura da equipa nacional. Aí, entre outros temas, será abordada a possibilidade de Ronaldo prescindir da braçadeira - que será em detrimento de Bruno Alves, um dos líderes do balneário -, caso verifique que isso poderá beneficiar a selecção, ou outros pontos como os aspectos a melhorar em relação ao campeonato do mundo ou as alterações previstas na própria estrutura da equipa ou da Federação. Queiroz, por si, não mudaria a estrutura de capitães, mas ao mesmo tempo sabe que nem todos concordam com a decisão de manter o avançado do Real Madrid e, por isso, pretende conferenciar com CR para encontrar a melhor solução. "Porque não sou uma pessoa de consensos mas sim de coerências, princípios e valores", como referiu.
Ao i, José Augusto e Toni, antigos capitães da selecção, admitem que a decisão tem tanto de importante como de complexa mas até falam numa terceira via: Ricardo Carvalho que, aos 32 anos, continuará entre os seleccionados de Queiroz no apuramento para o Europeu de 2012. "Por vezes, no FC Porto, o Bruno Alves é um capitão que imprime demasiada dureza ao jogo refugiando-se na braçadeira. Acima de tudo, considero que deve ser encontrada uma solução que reúna o maior consenso possível, e isso faz-se com conversas, sondagens ou com o trabalho nos últimos anos", defende José Augusto, acrescentando: "A entrega da braçadeira ao Ronaldo foi uma forma de responsabilizá-lo mais. A idade já não quer dizer nada. E como era o melhor do mundo, a aposta acabou por ser essa."
Toni aprofunda essa ideia: "Não sendo pela antiguidade, a entrega da braçadeira deverá obedecer a uma série de requisitos como a capacidade de liderança, a personalidade forte ou a empatia com o grupo. Pensava que o Cristiano estava a crescer como jogador e homem, até porque é a maior referência, mas a imagem que deixou no Mundial, com aquela resposta ao seleccionador, é negativa. Percebo o perdão seguinte mas, a este nível, não sei como será resolvido o assunto..."
PREJUÍZO? Existem versões contraditórias no que toca a verbas recebidas e gastas no Mundial. Com uma certeza: Carlos Queiroz recebeu 10% da receita total que a Federação teve pela participação no campeonato do mundo (7,2 milhões), ou seja, 720 mil euros. Segundo as fontes contactadas, o que varia apenas são as despesas na preparação do certame: uns defendem que os valores avançados ontem pelo "Record" estão certos - cerca de quatro milhões de euros, mais 1,5 na África do Sul -, outros garantem que, com a chegada aos oitavos-de-final, um objectivo mínimo traçado após o sorteio mas antes do início da competição, o saldo acabou por ser nulo. Cada um dos 23 jogadores, mais o lesionado Nani e o preterido Zé Castro, receberão, além da diária de presença (à volta de 800 euros por dia), um prémio mínimo de 100 mil euros. Ou seja, 2,5 milhões de euros no total.
MUDANÇAS A forma como informações internas têm chegado aos jornais vai ser tema de conversa entre Queiroz e Madaíl ainda este mês. Mas, além da comunicação, o treinador quer rever outros pontos na estrutura como o departamento médico, com quem o seleccionador não tem as melhores relações após os casos Bosingwa ou Nani, e o próprio staff técnico que o tem acompanhado desde 2008. Certo é que, apesar de algumas vozes críticas na FPF, Queiroz vai mesmo ficar. E nem as abordagens que recebeu dos Estados Unidos, das arábias e do Japão (ganhando mais) desviam esse rumo.



