Artigo Publicado em: Maisfutebol
Por: Ricardo, antigo internacional portuguêsPortugal assumiu o risco e isso traduziu-se em muitos golos. Mais importante ainda, traduziu-se em pontos. Este jogo fazia falta à selecção. A vitória frente à Coreia do Norte foi o reflexo de uma partida muito bem jogada e do desnorte do adversário. Não se pode ter sempre azar e, desta vez, tudo nos saiu bem.
A Selecção até podia ter perdido, mas teria feito, na mesma, um bom jogo - relembro o que aconteceu com a Espanha frente à Suíça, que dominou e perdeu. Felizmente acertámos com a baliza adversária e isso dará confiança à equipa.
Este jogo mostrou que não somos tão maus quanto alguns fizeram crer. Mas também não passámos a ser os melhores do mundo só porque goleámos. Não devemos ser pessimistas, mas também não podemos ser demasiado optimistas. Não acredito que os jogadores se deixem levar pelo entusiasmo. Mas, se isso acontecer, os responsáveis da nossa selecção tratarão de refreá-lo.
Mantenho a ideia, que partilhei convosco na primeira crónica: «o sonho dos portugueses será alimentado jogo a jogo». Coisas destas não se repetem muitas vezes. Mas, se conseguíssemos repeti-lo, era um espectáculo!
Finalmente o Ronaldo conseguiu «usar o ketchup»! Fico contente, até porque existe muita pressão sobre os seus ombros. Mas ele lida bem com isso. Fez um bom golo, embora, algo caricato. Apesar de a bola ter ganho um efeito estranho, teve arte e engenho para finalizar, com um gesto técnico perfeito. Mas acho que merecia que o remate que foi à trave entrasse. Seria um hino ao futebol!
Não foram as alterações no onze que fizeram com que a equipa mudasse. Todos os jogadores, que estão na África do Sul, fizeram por merecer a chamada e têm vontade de mostrar o seu valor. Independentemente de quem entrasse, notaríamos sempre uma diferença de espírito. Não uma mudança de atitude, porque o empenho nunca deixou de estar lá, mas sim de espírito. A confiança tinha de aparecer e o medo tinha de desaparecer.
Fado e samba darão uma boa mistura
Agora desfruta-se este momento, mas não por muito tempo. Sexta-feira já temos outro jogo e é nele que temos de concentrar-nos. Embora não seja decisiva, porque estamos praticamente nos oitavos, a partida com o Brasil define o primeiro e segundo lugares. Transporta-se para o final desta fase uma luta que pode valer pouco, em termos de apuramento, mas que terá um sabor especial. A palavra amizade estará sempre presente, mas será uma amizade «relativa», porque nenhuma das equipas quer perder.
Portugal não vai acusar o desgaste. Se, no final do jogo com a Coreia do Norte, tivessem dito àqueles jogadores que passados dez minutos teriam de jogar com o Brasil, eles jogavam. Jogos destes não cansam. O que cansa é jogar bem e não ver isso traduzido numa vitória. Isso é que desgasta um jogador. Assim, nem que só tivessem uns minutos de descanso, estariam todos preparados para voltar ao relvado.
Estão reunidos os ingredientes para assistirmos a uma boa partida. De certeza que o fado e o samba darão uma boa mistura.
Fim da linha para um dos favoritos?
Em termos gerais, tal como previa, a segunda jornada foi diferente. As equipas sabiam que tinham de arriscar mais e cumpriram. Alguns dos favoritos começaram a justificar o seu estatuto, outros arriscam-se a ficar pelo caminho.
Estes últimos dias ficaram marcados pela polémica à volta da selecção francesa. Cada notícia foi pior que a outra e especulou-se muito. Já existia a ideia de que o ambiente não era bom antes do Mundial, mas deteriora-se a cada instante. Esta situação não dignifica o futebol e a França.