Sempre se soube que o sucessor de Luiz Filipe Scolari iria ser criticado, independentemente de quem fosse. Scolari fez os portugueses pendurarem bandeiras nas janelas e restaurou o orgulho na selecção nacional, levou Portugal a um doloroso 2º lugar no Euro 2004 e a um excelente 4º lugar no Mundial de 2006. Em resumo, os 6 anos de Scolari foram extremamente positivos. Perspectivava-se assim um trabalho difícil e trabalhoso para o seu sucessor.
Carlos Queiroz foi o escolhido por Gilberto Madail para dar sequência aos grandes resultados da selecção. Grande conhecedor do futebol português, e até antigo seleccionador nacional, Queiroz deixou o lugar de "manager" do Manchester United e numero dois de Alex Ferguson, onde era dado como o mais provável sucessor deste ultimo.
Ao contrario do que aconteceu com o antigo seleccionador, Carlos Queiroz assinou um contracto de 4 anos, até 2012. Ou seja, os objectivos propostos foram o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2010 e para o Euro 2012, e consecutivamente ir o mais longe possível em cada uma destas competições. Alem destes objectivos, Queiroz propôs-se também a uma grande revolução na Federação Portuguesa de Futebol. E é aqui que as suas 2 grandes tarefas surgem até agora com resultados diferentes.
Vamos por partes. Portugal apurou-se com extremas dificuldades para o Mundial de 2010. Num grupo onde era favorito devido à sua posição no ranking e ao seu estatuto de cabeça de serie, Portugal tinha como grandes adversárias a Dinamarca e a Suécia. Depois de não vencer nenhuma destas adversárias, e ser dado como impossível a presença no Mundial, a Equipa das Quinas apurou-se para o Play-Off de acesso, devido as duas vitórias sobre a Hungria com a ajuda fundamental dos "portugueses" Pepe e Liedson. No Play-Off a Bósnia foi a adversária e ai sim a selecção superiorizou-se e venceu os dois jogos, garantindo assim o 3º Mundial consecutivo. Esta difícil qualificação, algumas más exibições, e polémicas escolhas de jogadores formaram uma má imagem de Carlos Queiroz como seleccionador por parte dos adeptos. Esta má imagem ficou evidente no recente jogo da selecção em Coimbra contra a China. Os adeptos queriam golos e espectáculo e como não tiveram isso nas proporções espectáveis, assobiaram... muito. É cada vez mais evidente que com uma má prestação no Mundial, Carlos Queiroz irá sair da FPF, juntamente com Madail, que termina mandato.
Mas se a prestação do seleccionador tem sido pouco positiva em termos desportivos, em termos de organização tem sido excelentes. Esta organização pode bem vir a ser a melhor dos últimos tempos no futebol português, especialmente a nível de selecções. Queiroz reuniu os técnicos experientes da formação selecções como Rui Caçador, Ilídio Vale e Agostinho Oliveira e juntou a este leque antigos jogadores da selecção nacional que agora são jovens treinadores. Oceano Cruz, Hélio Sousa, Emílio Peixe e Rui Bento fazem agora parte dos quadros da FPF. Cada um destes é responsável por um escalão mas também parte integrante de outros. Sub-15, Sub-16, Sub-17, Sub-18, Sub-19, Sub-20 e Sub-21 tem agora um grupo de jogadores definidos e o seu próprio treinador. Alem dos jogos particulares, cada um destes escalões junta-se também ocasionalmente por 2 ou 3 dias em pequenos estágios onde é fomentado o espírito de grupo e fazem os jovens jogadores se familiarizarem uns com os outros e com o verdadeiro significado de selecção nacional. É também novidade a selecção Sub-23, dirigida por António Simões. Esta é a equipa onde os jogadores que já tem a sua formação completa, amadurecem para se tornarem opções na na selecção principal. Esta selecção compete num campeonato semi-particular onde faz jogos com outras selecções semelhantes. Recentemente brilharam ao vencer o Pais de Gales por 7-2 e fazendo aquilo que a principal não conseguiu fazer. Nota máxima para a forma como Queiroz escolheu o novo modelo das selecções da FPF, fazendo assim jus as suas capacidades de "manager".
Duas faces de Queiroz, uma como treinador e outra como "manager". O sucesso da primeira estará dependente dos jogos com a Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil e, esperemos, muitos mais. A segunda é já um sucesso e trará frutos a médio/longo prazo.